Chão que não se pisa não dá fruto

Ao longo de quatro meses, percorri um território que me é familiar — o Pinhal Interior — fora da época e das câmaras. Longe do foco noticioso que só chega quando arde, este projecto nasceu da necessidade de mostrar o que existe no intervalo: o abandono, o silêncio, e uma relação entre pessoas, lugares e natureza em contínua desertificação.

O título vem da terra, de quem lá fica e de quem partiu. O Pinhal Interior é um território marcado pelo ciclo de exploração da matéria-prima — levantada no Inverno, devastada no Verão. Quis registar esse período esquecido do ano, e as pessoas e lugares que nele persistem.

Este projecto foi desenvolvido no âmbito da Masterclass Narrativa 2025/2026, orientada pelo fotógrafo Mário Cruz, onde, juntamente com Catarina Cesário Jesus , Catia Valente, Denis Graeff, Fernando Pimenta e Raquel Antunes, desenvolvemos cada um o seu projecto fotográfico.

A lone cross stands amidst a foggy, wooded landscape, creating an eerie and mysterious atmosphere.A moody, overcast scene depicts a concrete terrace with a white plastic chair, a broom, a hanging cloth, and a flag, set against a backdrop of mountains and leafless trees.An elderly person wearing a hat sits on a couch draped with a blue cover, in a dimly lit room.A small television displaying static is mounted above lace curtains in a dimly lit room.A large pile of sand or sawdust is situated in front of an industrial building.